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Hypsolebias guanambi
Killis - Site UBK

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Dificuldade de Criação
Reprodução
Agressividade
Alimentação
Facilidade de Aquisição

Países de origem

bandeira

Identificação

Nome Atual: Hypsolebias guanambi
Descrito por, Ano: Costa & Amorim, 2011
Família: Rivulidae Myers, 1925
Subfamília: Cynolebiinae Hoedeman, 1961
Tribo: Cynolebiini Hoedeman, 1961
Subtribo: Spectrolebiina Costa, 1998
Gênero: Hypsolebias Costa, 2006
Espécie: guanambi

Introdução

⇒ Descoberto por: Wilson J. E. M. Costa, Claudia P. Bove e Bruno B. Costa, em 13 de janeiro de 2005, no município de Guanambi, Bahia.

Hypsolebias guanambi é um raro killifish anual endêmico da drenagem superior do rio Carnaíba de Dentro, bacia do São Francisco, no município de Guanambi, Bahia. A espécie foi descoberta em uma pequena poça temporária próxima à BR-030 e descrita cientificamente por Costa & Amorim em 2011, após estudos morfológicos e moleculares demonstrarem tratar-se de uma linhagem distinta dentro do complexo H. flavicaudatus.

Os machos atingem aproximadamente 3,9 cm de comprimento padrão e apresentam numerosas barras verticais escuras nos flancos, além de marcas azuladas na nadadeira dorsal. Uma de suas características distintivas são os raios filamentosos relativamente curtos das nadadeiras dorsal e anal, além de particularidades anatômicas que permitem separá-la das demais espécies do complexo.

Como típico peixe anual da Caatinga, H. guanambi completa rapidamente seu ciclo durante o período chuvoso e sobrevive à longa estação seca através dos ovos em diapausa enterrados no substrato das poças. Atualmente classificada globalmente como Vulnerável (VU), possui distribuição extremamente pequena e depende da conservação de ambientes temporários inseridos em uma região que sofreu intensa transformação urbana e agropecuária.

Explore a ficha abaixo e descubra todos os detalhes sobre este singular killifish que carrega em seu próprio nome a identidade de uma das mais importantes regiões de endemismo de peixes anuais do Brasil!

Sinonimia

Hypsolebias guanambi foi descrita por Costa & Amorim em 2011, já diretamente no gênero Hypsolebias. Sua combinação original, Hypsolebias guanambi Costa & Amorim, 2011, permanece sendo o nome atualmente utilizado.

Etimologia

O epíteto específico guanambi faz referência ao município de Guanambi, Bahia, região onde a espécie foi descoberta. Os autores escolheram o nome não apenas pela localização geográfica, mas também pela extraordinária importância biológica da região: as extensas planícies sazonalmente inundadas da drenagem do rio Carnaíba de Dentro abrigam diversas espécies endêmicas de peixes anuais, constituindo um importante centro de endemismo de Rivulidae

Dados e Informações de Criação

Informações sobre criação de killifishes Ex situ. Histórico da espécie em cativeiro, criação no Brasil e no Mundo, dicas de  manejo, manutenção e procriação. Utilize as abas abaixo para navegar entre os assuntos.

Básicos

O Aquário

Populações com Código de Coleta (Rastreabilidade Alta)
Estas populações possuem dados precisos de local, data e coletor. Devem ser mantidas estritamente puras.

Os marcadores não significam a localização exata da população desta espécie. A intenção é apenas mostrar um aspecto geral da distribuição geográfica.

Dados Científicos, Taxonômicos e Históricos

Informações científicas sobre a espécie, dados sobre morfometria, características científicas diferenciadas e história da espécie. Utilize as abas abaixo para navegar entre os assuntos.

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Distribuição, Biótopos, Ecologia e Ameaças

Material sobre características dos habitats e biótopos desta espécie, bem como riscos específicos e iniciativas de preservação. Utilize as abas abaixo para navegar entre os assuntos.

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O desaparecimento das poças temporárias e dos peixes anuais de Guanambi

A região de Guanambi, no sudoeste da Bahia, constitui um dos mais importantes centros de endemismo de peixes anuais da bacia do rio São Francisco. Pequenas poças temporárias da drenagem superior do rio Carnaíba de Dentro abrigam espécies de distribuição extremamente restrita, entre elas Hypsolebias fulminantis, H. splendissimus, H. carlettoi, H. guanambi e H. ghisolfii. Algumas são conhecidas de poucas localidades e outras chegaram a ser registradas em apenas uma única poça.

O acompanhamento científico realizado desde a década de 1990 documenta uma transformação profunda dessa paisagem. Em 1994, poças adequadas aos peixes anuais ainda eram abundantes nos arredores de Guanambi; em 1999, pesquisadores já registravam seu declínio. Após a intensa expansão urbana da cidade, campanhas realizadas em 2009, 2010 e 2017 deixaram de encontrar Hypsolebias fulminantis nas áreas onde a espécie havia sido repetidamente coletada. Os pesquisadores concluíram que ocorreu um acentuado declínio dos habitats temporários e extirpação de populações naturais na região.

A situação de Hypsolebias splendissimus é ainda mais preocupante. A espécie foi descoberta em 2010 em uma única poça temporária cerca de 3 km a oeste de Guanambi. Levantamentos posteriores indicaram grave comprometimento daquela localidade e não conseguiram reencontrar a população, levando os pesquisadores a alertarem para uma possível extirpação local. Como outras áreas da alta drenagem do Carnaíba de Dentro permanecem pouco estudadas, não é possível afirmar que a espécie esteja extinta, mas a perda de sua única localidade confirmada conhecida representa um sinal de alerta excepcionalmente grave.

A destruição desses ambientes não é apenas um fenômeno descrito na literatura científica. Um Inquérito Civil do Ministério Público Federal documentou o aterramento de áreas ocupadas por Hypsolebias fulminantis e Cynolebias cf. leptocephalus junto à BR-122, no sentido Guanambi–Pindaí. O dano, identificado a partir de 2017, permaneceu sem recuperação durante anos e exigiu georreferenciamento com participação do MPF, ICMBio, proprietários e poder público municipal. Em maio de 2025, o próprio ICMBio/CEPTA concluiu que a recuperação de parte do terreno atingido já era impossível, restando a adoção de medidas compensatórias.

O caso evidencia uma particular vulnerabilidade dos peixes anuais: uma poça temporária continua sendo habitat mesmo quando não existe água visível. Durante os meses secos, toda uma população pode estar representada apenas por ovos microscópicos em diapausa enterrados no solo. Aterrar, arar, compactar ou construir sobre uma depressão aparentemente seca pode, portanto, eliminar uma população inteira sem que nenhum peixe seja visto durante a intervenção.

O problema já é reconhecido institucionalmente. O Plano Municipal de Saneamento Básico de Guanambi registra expressamente H. guanambi, H. fulminantis e Cynolebias leptocephalus e relata que, em 2020, o Ministério Público Federal solicitou ao ICMBio/CEPTA e ao IBAMA apoio técnico para subsidiar os órgãos responsáveis pelo licenciamento de empreendimentos nas áreas de expansão urbana onde poderiam ocorrer peixes anuais. Atualmente, várias espécies da região permanecem oficialmente ameaçadas: H. fulminantis é Criticamente em Perigo (CR); H. ghisolfii, Em Perigo (EN); H. guanambi, Vulnerável (VU); H. splendissimus, Vulnerável (VU); e Cynolebias leptocephalus, Em Perigo (EN) na lista nacional vigente.

A história de Guanambi demonstra, portanto, que reconhecer uma espécie como ameaçada não garante automaticamente a preservação de seu habitat. A proteção dos rivulídeos exige que as poças temporárias sejam previamente identificadas, georreferenciadas e incorporadas ao planejamento urbano, ao zoneamento territorial e aos processos de licenciamento ambiental. Quando a fiscalização e a proteção ocorrem somente depois do aterramento ou da drenagem, o dano pode já ser irreversível — exatamente como documentado pelo próprio poder público em Guanambi.

Mais do que proteger pequenos peixes, conservar essas poças significa preservar ecossistemas únicos da Caatinga que desaparecem visualmente todos os anos, mas permanecem biologicamente vivos sob o solo. O desaparecimento progressivo desses ambientes em Guanambi constitui um alerta de que uma parcela singular da biodiversidade brasileira pode ser perdida não por uma grande catástrofe ambiental, mas pela eliminação sucessiva de pequenas poças, uma a uma, até que já não reste lugar para o retorno dos peixes com as próximas chuvas.

Galeria de Imagens

Algumas fotos foram retiradas da internet com intuito informativo. Os devidos créditos são observados. Qualquer problema entre em contato conosco.

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