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Infelizmente, a killifilia brasileira ainda é carente de memória histórica registrada. Muitas histórias de criadores, coletas, linhagens, intercâmbios, exposições e espécies mantidas no país acabaram se perdendo com o tempo. A UBK acredita que preservar essa memória é tão importante quanto preservar os próprios peixes. Por isso, convidamos criadores, antigos e atuais, e todos os aficionados por killifishes a compartilhar conosco suas experiências, lembranças, fotografias, documentos e relatos. Conte sua história com esta espécie e também com a killifilia brasileira. Cada registro pode ajudar a reconstruir uma parte importante da nossa história e impedir que ela se perca novamente.
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Brasil
⇒ Descoberto por: Gilberto Campello Brasil. Descrita cientificamente por Wilson J. E. M. Costa em 2012.
Hypsolebias gilbertobrasili é um raro killifish anual endêmico da bacia do médio rio São Francisco, na Bahia, onde habita brejos sazonais formados por pequenos canais rasos associados à vegetação savânica. Pertencente ao complexo H. flavicaudatus, a espécie apresenta distribuição extremamente limitada e completa todo o seu ciclo de vida durante o período em que esses ambientes permanecem inundados, sobrevivendo à estação seca através dos ovos em diapausa enterrados no substrato.
É uma espécie pequena: machos conhecidos alcançam aproximadamente 37 mm de comprimento padrão, e fêmeas cerca de 34 mm. Os machos apresentam 7–10 barras cinzentas nos flancos, pontos branco-azulados na região anterior da dorsal e longos filamentos dorsais. Nas fêmeas está um dos melhores caracteres diagnósticos: uma grande mancha negra no centro do flanco, maior que o diâmetro do olho, característica que a separa dos demais integrantes do complexo H. flavicaudatus.
Explore a ficha abaixo e conheça todos os detalhes sobre este pequeno e ameaçado representante das águas temporárias do rio São Francisco!
Hypsolebias gilbertobrasili foi descrita em 2012, já diretamente no gênero Hypsolebias, por Wilson J. E. M. Costa, durante um estudo que revelou uma diversidade até então desconhecida dentro do complexo H. flavicaudatus.
O epíteto específico gilbertobrasili é uma homenagem a Gilberto Campello Brasil (1945–2008), aquarista, naturalista e incansável explorador dos peixes anuais brasileiros. Gilberto participou da descoberta de diversas espécies de Rivulidae e teve papel particularmente importante na exploração das poças temporárias do Cerrado e da Caatinga.
Informações sobre criação de killifishes. Histórico da espécie em cativeiro, criação no Brasil e no Mundo, dicas de manejo, manutenção e procriação, populações e geolocalização. Utilize as abas abaixo para navegar entre os assuntos.
Populações com Código de Coleta (Rastreabilidade Alta)
Estas populações possuem dados precisos de local, data e coletor. Devem ser mantidas estritamente puras.
Os marcadores não significam a localização exata da população desta espécie. A intenção é apenas mostrar um aspecto geral da distribuição geográfica.
Informações científicas sobre a espécie, dados sobre morfometria, características científicas diferenciadas e história da espécie. Utilize as abas abaixo para navegar entre os assuntos.
Diagnose e
Morfometria
Artigo Especial
Tipologia
e História
Material sobre características dos habitats e biótopos desta espécie, bem como riscos específicos e iniciativas de preservação. Utilize as abas abaixo para navegar entre os assuntos.
Distribuição
e Biótopo
Ecologia e
Simpatria
Conservação
Hypsolebias gilbertobrasili encontra-se atualmente classificada como Criticamente em Perigo (CR). A avaliação global da IUCN, realizada em 18 de maio de 2022, aplicou o critério B2ab(iii), relacionado à área de ocupação extremamente pequena e ao declínio da qualidade do habitat. A classificação brasileira também é CR, e foi mantida na atualização oficial publicada pelo MMA em 27 de abril de 2026. Portanto, neste caso existe concordância entre a avaliação global e a nacional quanto à gravidade da situação.
Esse quadro representa uma mudança importante no conhecimento sobre a espécie. Em levantamento publicado em 2020 sobre os peixes de água doce da Bahia, H. gilbertobrasili ainda aparecia como NT (Quase Ameaçada) em uma das avaliações compiladas. Hoje, entretanto, tanto a avaliação global quanto a brasileira reconhecem a espécie como Criticamente em Perigo. A mudança mostra como o avanço do conhecimento sobre distribuição, delimitação taxonômica e condição dos habitats pode revelar riscos que anteriormente permaneciam mascarados.
Sua vulnerabilidade está diretamente relacionada à extrema especialização ecológica. H. gilbertobrasili vive em brejos temporários rasos e desaparece visualmente da paisagem durante a estação seca. Entretanto, quando a água desaparece, a população não desaparece: seus ovos permanecem enterrados no substrato. Isso significa que drenagem, revolvimento do solo, agricultura, terraplenagem ou alteração da hidrologia de uma área aparentemente seca podem destruir silenciosamente o banco de ovos e eliminar uma população inteira.
O problema precisa ser entendido também em escala regional. O estudo que revelou H. gilbertobrasili demonstrou que o complexo H. flavicaudatus é endêmico do semiárido do São Francisco e ocorre em uma região submetida a intenso processo de perda de habitat. Os autores mostraram ainda que a ocupação humana e o desenvolvimento econômico são espacialmente desiguais na bacia, produzindo diferenças marcantes no risco de extinção entre espécies próximas.
Algumas fotos foram retiradas da internet com intuito informativo. Os devidos créditos são observados. Qualquer problema entre em contato conosco.
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