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Brasil
⇒ Descoberto por: Gilberto Campello Brasil, em 15 de abril de 2005, no município de Unaí, Minas Gerais.
Hypsolebias gibberatus é um raro killifish anual do Cerrado mineiro, conhecido de uma área extremamente restrita da drenagem do rio Preto, afluente do rio Paracatu, na bacia do São Francisco. Como outros peixes anuais, habita pequenas poças temporárias formadas durante o período chuvoso, completando rapidamente seu ciclo de vida antes que esses ambientes sequem. Durante a estiagem, a população sobrevive exclusivamente através dos ovos em diapausa enterrados no substrato.
Uma das características da espécie ocorre nas fêmeas, que apresentam uma pronunciada convexidade na região posterior da cabeça e anterior do dorso, conferindo-lhes uma aparência semelhante a uma pequena “corcunda”. Essa característica única inspirou o nome gibberatus e permite distingui-la facilmente de espécies próximas.
Para biólogos e aquaristas, H. gibberatus representa uma das formas mais singulares entre os peixes anuais brasileiros. Atualmente classificada como Vulnerável (VU) no Brasil, sua distribuição extremamente limitada e a transformação acelerada das áreas úmidas temporárias do Cerrado tornam especialmente importante a conservação de suas populações naturais.
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Hypsolebias gibberatus foi originalmente descrita por Costa & Brasil, em 2006, como Simpsonichthys gibberatus, quando Hypsolebias era tratado como subgênero de Simpsonichthys. Posteriormente, com o reconhecimento de Hypsolebias como gênero independente, a espécie passou à combinação atualmente utilizada, Hypsolebias gibberatus (Costa & Brasil, 2006).
O epíteto específico gibberatus deriva do latim e significa aproximadamente “corcunda”, “arqueado” ou “provido de uma elevação no dorso”. O nome foi escolhido por Costa & Brasil (2006) em referência à extraordinária morfologia apresentada pelas fêmeas da espécie, que possuem uma pronunciada convexidade no perfil anterodorsal do corpo, abrangendo a região posterior da cabeça e a porção anterior do tronco.
Informações sobre criação de killifishes Ex situ. Histórico da espécie em cativeiro, criação no Brasil e no Mundo, dicas de manejo, manutenção e procriação. Utilize as abas abaixo para navegar entre os assuntos.
Populações com Código de Coleta (Rastreabilidade Alta)
Estas populações possuem dados precisos de local, data e coletor. Devem ser mantidas estritamente puras.
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Hypsolebias gibberatus é oficialmente classificada como Vulnerável (VU) no Brasil e integra as iniciativas nacionais destinadas à conservação dos peixes anuais ameaçados. Sua situação merece especial atenção porque a espécie possui distribuição geográfica extremamente restrita, sendo historicamente conhecida de poças temporárias da região de Unaí, no noroeste de Minas Gerais. Para uma espécie dependente de ambientes tão pequenos e localizados, a destruição de poucas áreas úmidas pode representar a perda de uma parcela significativa de sua população — ou mesmo de populações inteiras.
A principal ameaça está relacionada à transformação das áreas sazonalmente alagadas do Cerrado, especialmente pela expansão agropecuária, drenagem, abertura de canais, alteração da vegetação natural e modificação do regime hídrico. A situação regional já possui precedentes alarmantes: estudos sobre os rivulídeos de Unaí documentam que localidades de outros peixes anuais da mesma região foram completamente drenadas e convertidas para plantações de soja, enquanto H. gibberatus, H. fasciatus e H. virgulatus são historicamente conhecidas de áreas extremamente restritas.
O problema é agravado por uma particularidade frequentemente ignorada: uma poça temporária não deixa de constituir habitat quando está seca. Durante a estiagem, os ovos de H. gibberatus permanecem enterrados no solo. Assim, aração, terraplenagem, drenagem, construção de estradas ou transformação agrícola de uma depressão aparentemente seca podem destruir silenciosamente toda uma geração antes mesmo que os peixes voltem a aparecer.
Documentos elaborados no âmbito do PAT Veredas Goyaz-Geraes apontam uma deficiência especialmente preocupante na proteção desses ambientes: os Rivulidae nem sempre são incluídos obrigatoriamente nos levantamentos realizados para determinados empreendimentos. O relatório registra casos em que projetos envolvendo supressão de brejos e lagoas marginais não contemplam adequadamente estudos de ictiofauna e afirma que situação semelhante ocorre em licenciamentos agrossilvipastoris. O documento menciona especificamente Hypsolebias cf. gibberatus em Paracatu e alerta que canais de drenagem podem alterar o tempo de permanência das poças temporárias necessárias à reprodução desses peixes.
Esse cenário evidencia uma importante fragilidade das políticas de conservação: o reconhecimento formal de H. gibberatus como espécie ameaçada não garante, por si só, a proteção efetiva de seus habitats. Embora existam listas oficiais, Planos de Ação Nacional e instrumentos de licenciamento ambiental, pequenas áreas úmidas temporárias podem permanecer insuficientemente identificadas e protegidas. Quando esses ambientes desaparecem antes mesmo de serem adequadamente inventariados, a proteção legal da espécie torna-se, na prática, pouco efetiva. H. gibberatus está formalmente contemplada no segundo ciclo do PAN Rivulídeos, demonstrando que sua necessidade de conservação já é reconhecida pelo próprio poder público.
A conservação da espécie exige, portanto, proteção física das poças conhecidas e de suas áreas de drenagem, fiscalização da conversão de áreas úmidas, levantamentos específicos de peixes anuais nos processos de licenciamento e monitoramento periódico das populações. A manutenção responsável de linhagens em cativeiro pode atuar como ferramenta complementar de conservação e geração de conhecimento, especialmente porque existem registros históricos de H. gibberatus no aquarismo. Entretanto, nenhuma população ex situ substitui a preservação dos ambientes naturais onde a espécie evoluiu.
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