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Infelizmente, a killifilia brasileira ainda é carente de memória histórica registrada. Muitas histórias de criadores, coletas, linhagens, intercâmbios, exposições e espécies mantidas no país acabaram se perdendo com o tempo. A UBK acredita que preservar essa memória é tão importante quanto preservar os próprios peixes. Por isso, convidamos criadores, antigos e atuais, e todos os aficionados por killifishes a compartilhar conosco suas experiências, lembranças, fotografias, documentos e relatos. Conte sua história com esta espécie e também com a killifilia brasileira. Cada registro pode ajudar a reconstruir uma parte importante da nossa história e impedir que ela se perca novamente.
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Brasil
Descoberta em 2010 por Wilson J. E. M. Costa e colaboradores, Hypsolebias splendissimus Costa, 2018 é um pequeno rivulídeo anual endêmico do alto sistema do rio Carnaíba de Dentro, na bacia do rio São Francisco, Bahia. A espécie foi encontrada em uma poça temporária próxima a Guanambi, situada em área plana a aproximadamente 505 m de altitude. Os machos apresentam coloração extraordinariamente intensa, combinando tons vermelhos, amarelo-ocres, verdes e azul-metálicos, enquanto as fêmeas apresentam coloração mais discreta. A população conhecida estava concentrada principalmente em uma pequena área marginal, sombreada e densamente vegetada, dentro da poça temporária.
A história conhecida da espécie é marcada pela rápida perda de seu habitat. Em janeiro de 2017, os pesquisadores retornaram à localidade-tipo e constataram que a poça havia sido drenada e aterrada por máquinas, não sendo mais encontrados exemplares de H. splendissimus. Até o momento, não foi confirmada outra população natural publicada, embora a existência de populações remanescentes não possa ser descartada, pois outras áreas do alto Carnaíba de Dentro ainda necessitam de investigação. A espécie é atualmente classificada como Criticamente Em Perigo (CR) pela IUCN.
A espécie foi descrita diretamente no gênero Hypsolebias. As bases taxonômicas consultadas continuam reconhecendo H. splendissimus como espécie válida e não foi localizada sinonímia formal publicada
O epíteto específico splendissimus deriva do latim splendissimus, “muito esplêndido”, “extremamente brilhante” ou “magnificentíssimo”. O nome faz referência à coloração excepcionalmente intensa dos machos, que está entre as mais vistosas observadas entre os killifishes aplocheiloides sul-americanos.
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Populações com Código de Coleta (Rastreabilidade Alta)
Estas populações possuem dados precisos de local, data e coletor. Devem ser mantidas estritamente puras.
Os marcadores não significam a localização exata da população desta espécie. A intenção é apenas mostrar um aspecto geral da distribuição geográfica.
Informações científicas sobre a espécie, dados sobre morfometria, características científicas diferenciadas e história da espécie. Utilize as abas abaixo para navegar entre os assuntos.
Diagnose e
Morfometria
Hypsolebias splendissimus pertence ao complexo H. fulminantis e pode ser distinguido de seus congêneres mais próximos por uma combinação particular de caracteres.
Nos machos, destaca-se a nadadeira peitoral vermelha, em contraste com a nadadeira hialina observada em H. fulminantis e H. shibattai. As extremidades das nadadeiras dorsal e anal apresentam raios filamentosos bem desenvolvidos nos adultos, enquanto em espécies próximas esses filamentos são ausentes ou pouco desenvolvidos. A segunda radial proximal da nadadeira dorsal situa-se entre os espinhos neurais da oitava e nona vértebras.
A espécie também se diferencia de H. shibattai pela posição relativa das nadadeiras: nos machos de H. splendissimus, a origem da dorsal é posterior à origem da anal, enquanto em H. shibattai ocorre a condição inversa. As barras vermelhas características de H. splendissimus estão concentradas principalmente na porção anterior do flanco, enquanto em H. shibattai estendem-se por praticamente todo o flanco. Além disso, H. splendissimus não apresenta órgãos de contato na nadadeira peitoral dos machos.
O corpo é relativamente alto e comprimido lateralmente. A cabeça apresenta perfil curto, e as nadadeiras dorsal e anal dos machos são alongadas, com extremidades filamentosas. A nadadeira caudal é arredondada.
A coloração do macho constitui um dos elementos mais característicos da espécie. O corpo apresenta uma combinação de vermelho, amarelo-ocre, verde e azul metálico, com barras vermelhas na região anterior do flanco e pontos azulados associados às escamas. A cabeça apresenta áreas azul-metálicas e amarelo-ocres, enquanto as nadadeiras dorsal e anal apresentam padrões intensos de vermelho, azul e verde-dourado.
A nadadeira peitoral é particularmente diagnóstica por apresentar coloração vermelha, caráter que contribui para distingui-lo de espécies próximas.
As fêmeas são consideravelmente menos coloridas. Apresentam corpo predominantemente cinza-acastanhado, com tonalidades amareladas e manchas escuras no flanco. As nadadeiras são mais claras e relativamente hialinas.
Os exemplares conhecidos apresentam dimensões relativamente pequenas. O holótipo, macho, possui 42,7 mm de comprimento padrão (SL), enquanto os machos dos parátipos atingem 42,9–43,3 mm SL e as fêmeas 27,0–30,5 mm SL. O FishBase registra 43 mm SL como o maior tamanho conhecido para machos e indivíduos não sexados e 31 mm SL para fêmeas.
No holótipo, alguns valores morfométricos correspondem a:
Nos parátipos machos, a altura corporal varia de 35,0–36,8% SL, enquanto nas fêmeas varia de 35,8–38,8% SL.
Artigo Especial
Tipologia
e História
Material sobre características dos habitats e biótopos desta espécie, bem como riscos específicos e iniciativas de preservação. Utilize as abas abaixo para navegar entre os assuntos.
Distribuição
e Biótopo
A distribuição conhecida de Hypsolebias splendissimus é extremamente restrita.
Brasil, Bahia, município de Guanambi, aproximadamente 3 km a oeste da cidade, nas proximidades da BR-030 e cerca de 1,5 km a oeste da confluência do rio Poço do Magro com o rio Carnaíba de Dentro.
A localidade pertence à bacia do rio São Francisco, no sistema do alto rio Carnaíba de Dentro. A coordenada é particularmente importante por estar associada diretamente à série-tipo e aos espécimes utilizados nas análises moleculares.
O habitat conhecido consistia em uma poça temporária rasa situada em uma área plana, com aproximadamente 100 m de comprimento, 30 m de largura e profundidade máxima próxima de 0,5 m. Os peixes estavam concentrados sobretudo em uma pequena porção marginal, com cerca de 100 m², onde havia vegetação aquática abundante e arbustos proporcionando sombreamento.
Esse aspecto é ecologicamente importante: o habitat de H. splendissimus não deve ser entendido apenas como a lâmina d'água. A área marginal vegetada e o substrato da depressão fazem parte do ambiente funcional utilizado pela espécie.
Como ocorre com outros rivulídeos anuais, a fase seca do ambiente não representa necessariamente a ausência do habitat. Os ovos permanecem associados ao substrato durante o período em que a poça está seca, tornando a própria depressão temporária e seu solo componentes fundamentais para a conservação da população.
Até o presente levantamento, não foi localizada uma segunda população natural confirmada por material publicado inequívoco.
Ecologia e
Simpatria
Hypsolebias splendissimus é um peixe anual de água doce, associado a ambientes aquáticos temporários da Caatinga. O habitat conhecido é uma depressão rasa que acumula água durante o período chuvoso e seca posteriormente.
O ciclo de vida dos rivulídeos anuais envolve a deposição dos ovos no substrato durante a fase aquática. Com a seca da poça, os adultos desaparecem, enquanto os ovos permanecem no solo em estados de desenvolvimento resistentes à dessecação, aguardando novos períodos favoráveis de inundação.
Para H. splendissimus, entretanto, não foram localizados estudos específicos suficientes para estabelecer duração da incubação, fecundidade, idade de maturidade, longevidade ou parâmetros detalhados de crescimento. Esses dados não devem ser extrapolados automaticamente de H. fulminantis ou de outros Hypsolebias.
A população conhecida ocupava preferencialmente o setor mais sombreado e densamente vegetado da poça. Essa associação sugere que a estrutura marginal da vegetação possui importância ecológica, além da simples presença temporária de água.
A espécie integra o complexo Hypsolebias fulminantis. Sua localidade conhecida situa-se muito próxima da área conhecida de H. fulminantis, mas as populações ocupam diferentes ambientes locais e não há evidência de que as duas espécies tenham sido encontradas na mesma poça.
Também existe proximidade biogeográfica com H. shibattai, mas a distinção entre as espécies é sustentada por caracteres morfológicos e pela análise molecular realizada na descrição de H. splendissimus.
Portanto, para H. splendissimus, deve-se distinguir:
Conservação
A situação de conservação de Hypsolebias splendissimus é particularmente preocupante devido à combinação de distribuição conhecida extremamente restrita e destruição documentada de sua única localidade conhecida.
Quando os pesquisadores retornaram à localidade-tipo em janeiro de 2017, aproximadamente sete anos após a coleta da série-tipo, encontraram a poça drenada e aterrada por máquinas, e não encontraram novamente a espécie. Esse registro constitui evidência direta da destruição do habitat original.
A destruição da localidade-tipo não permite, entretanto, afirmar que H. splendissimus esteja extinta globalmente. Não foi demonstrada uma segunda população, mas também não foi realizado um levantamento suficientemente amplo de todo o alto Carnaíba de Dentro capaz de excluir a existência de populações remanescentes.
Entre as pressões relevantes para a espécie estão:
Destruição e aterramento de poças temporárias — constitui a ameaça mais diretamente documentada, pois foi exatamente o processo responsável pela perda da localidade-tipo.
Alteração da drenagem — modificações na microtopografia e nos caminhos naturais de escoamento podem impedir o enchimento sazonal das depressões ou alterar sua duração hidrológica.
Expansão urbana e periurbana — a localidade-tipo estava próxima de Guanambi e da BR-030, em uma paisagem sujeita à expansão urbana e à transformação do uso do solo.
Agricultura e alteração da cobertura vegetal — a transformação das áreas naturais pode eliminar depressões temporárias, modificar a infiltração e o escoamento superficial e remover a vegetação marginal utilizada pela espécie.
Infraestrutura viária e ferroviária — a região do Carnaíba de Dentro apresenta intensa transformação associada a obras de infraestrutura. A existência dessas pressões regionais é documentada, embora não seja possível atribuir a elas, sem análise espacial específica, a destruição direta da localidade-tipo.
Remoção da vegetação marginal — particularmente relevante porque os indivíduos foram encontrados concentrados justamente na porção sombreada e densamente vegetada da poça.
A espécie foi avaliada pela IUCN como Criticamente Em Perigo (CR), com avaliação datada de 5 de janeiro de 2021, sob os critérios A2c; B1ab(iii)+2ab(iii).
A situação conhecida é particularmente compatível com uma espécie de distribuição extremamente reduzida: a única população documentada teve seu habitat destruído e não foi reencontrada posteriormente.
A procura por populações remanescentes deveria concentrar-se inicialmente no entorno da localidade-tipo e nas demais depressões temporárias do alto sistema do rio Carnaíba de Dentro, combinando levantamento de campo com análise histórica de imagens de satélite e identificação geomorfológica de ambientes potencialmente adequados.
Algumas fotos foram retiradas da internet com intuito informativo. Os devidos créditos são observados. Qualquer problema entre em contato conosco.
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