| Ordem: Cyprinodontiformes  | 
 Família: Rivulidae | 
 Gênero: Hypsolebias | 
Anual
Sul-Americano
Hypsolebias ocellatus
Killis - Site UBK

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Dificuldade de Criação
Reprodução
Agressividade
Alimentação
Facilidade de Aquisição

Infelizmente, a killifilia brasileira ainda é carente de memória histórica registrada. Muitas histórias de criadores, coletas, linhagens, intercâmbios, exposições e espécies mantidas no país acabaram se perdendo com o tempo. A UBK acredita que preservar essa memória é tão importante quanto preservar os próprios peixes. Por isso, convidamos criadores, antigos e atuais, e todos os aficionados por killifishes a compartilhar conosco suas experiências, lembranças, fotografias, documentos e relatos. Conte sua história com esta espécie e também com a killifilia brasileira. Cada registro pode ajudar a reconstruir uma parte importante da nossa história e impedir que ela se perca novamente.
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Países de origem

bandeira
Brasil

Identificação

Nome Atual: Hypsolebias ocellatus
Descrito por, Ano: Costa, Nielsen & De Luca, 2001
Família: Rivulidae Myers, 1925
Subfamília: Cynolebiinae Hoedeman, 1961
Tribo: Cynolebiini Hoedeman, 1961
Subtribo: Spectrolebiina Costa, 1998
Gênero: Hypsolebias Costa, 2006
Espécie: ocellatus

Introdução

Hypsolebias ocellatus (Costa, Nielsen & De Luca, 2001) é um peixe anual endêmico do Brasil, conhecido das planícies associadas ao médio rio Jequitinhonha, em Minas Gerais. Sua história conhecida começa em 2000, quando diferentes expedições localizaram populações em poças temporárias distribuídas ao longo do vale do Jequitinhonha.

O registro documental mais antigo recuperado durante esta investigação corresponde a uma coleta realizada por Dalton T. B. Nielsen, em março de 2000, em uma poça temporária próxima ao rio Jequitinhonha, cerca de 1 km de Itaobim. No mês seguinte, em 20 de abril de 2000, Wilson J. E. M. Costa e Claudia P. Bove realizaram uma extensa coleta em uma poça temporária situada aproximadamente 1 km a oeste de Itaobim, junto à BR-367. Outros lotes documentaram a espécie em Taquaral, São Pedro do Jequitinhonha e Almenara, além de uma coleta realizada em junho daquele ano a oeste de Salto da Divisa.

A espécie foi formalmente descrita em 2001 por Wilson J. E. M. Costa, Dalton T. B. Nielsen e Alessandro C. De Luca, originalmente como Simpsonichthys ocellatus. A localidade-tipo situa-se nas proximidades de Itaobim, em uma poça temporária associada ao vale do Jequitinhonha e à BR-367. O holótipo é o macho MZUSP 61232, com 33,9 mm de comprimento padrão.

A característica mais singular de H. ocellatus encontra-se, curiosamente, nas fêmeas. Elas apresentam normalmente uma grande mancha negra elíptica na região anterocentral do flanco, circundada por uma ampla margem metálica azul-prateada a dourada, formando um ocelo brilhante. Raramente podem ocorrer duas manchas. Esse padrão foi considerado diagnóstico e deu origem ao nome da espécie.

Ao contrário de vários Hypsolebias microendêmicos, H. ocellatus não é conhecida de uma única depressão sazonal. A documentação histórica revela pelo menos cinco localidades de ocorrência distribuídos ao longo do vale do Jequitinhonha: Itaobim, Taquaral, São Pedro do Jequitinhonha, Almenara e Salto da Divisa. É mais prudente denominá-los “núcleos ou setores históricos de ocorrência”, pois ainda não sabemos se representavam populações geneticamente independentes ou conjuntos de poças conectados episodicamente.

Essa distribuição relativamente ampla provavelmente contribuiu para sua avaliação nacional como Menos Preocupante (LC). Entretanto, grande parte da documentação de ocorrência que conseguimos confirmar remonta ao ano de 2000, e a persistência contemporânea de todos os núcleos históricos ainda precisa ser verificada. O Livro Vermelho brasileiro registra H. ocellatus como LC, com avaliação de 2012.

Sinonimia

A espécie foi originalmente descrita como:

Simpsonichthys ocellatus Costa, Nielsen & De Luca, 2001

Posteriormente, alterações na classificação dos Cynolebiinae levaram ao reconhecimento de Hypsolebias em nível genérico, resultando na combinação atualmente utilizada:

Hypsolebias ocellatus (Costa, Nielsen & De Luca, 2001)

Etimologia

O epíteto latino ocellatus significa aproximadamente “ocelado” ou “provido de pequenos olhos”, fazendo referência à extraordinária mancha em forma de olho apresentada pelas fêmeas.

Dados e Informações de Criação

Informações sobre criação de killifishes. Histórico da espécie em cativeiro, criação no Brasil e no Mundo, dicas de  manejo, manutenção e procriação, populações e geolocalização. Utilize as abas abaixo para navegar entre os assuntos.

Básicos

O Aquário

Populações com Código de Coleta (Rastreabilidade Alta)
Estas populações possuem dados precisos de local, data e coletor. Devem ser mantidas estritamente puras.

Os marcadores não significam a localização exata da população desta espécie. A intenção é apenas mostrar um aspecto geral da distribuição geográfica.

Dados Científicos, Taxonômicos e Históricos

Informações científicas sobre a espécie, dados sobre morfometria, características científicas diferenciadas e história da espécie. Utilize as abas abaixo para navegar entre os assuntos.

Diagnose e
Morfometria

H. ocellatus distingue-se das demais espécies comparadas na revisão pela presença, nas fêmeas, de uma grande mancha negra na região anterocentral do flanco, circundada por ampla margem azul-prateada a dourada clara. Normalmente existe um único ocelo em cada lado do corpo, embora raramente possam ocorrer dois.

As fêmeas possuem corpo castanho-claro, geralmente com 10–11 barras cinza pouco evidentes alternadas com barras prateadas estreitas na região mediana do flanco. A cabeça e a região ventral apresentam tonalidade dourada pálida, enquanto as nadadeiras são essencialmente hialinas. O grande ocelo contrasta fortemente com esse padrão relativamente discreto.

Nos machos, o corpo apresenta tonalidade cinza-acastanhada clara e aproximadamente 10–13 barras castanho-purpúreas claras, alternando-se com regiões douradas anteriormente e azul-metálicas na maior parte posterior dos flancos. A nadadeira dorsal é cinza-purpúrea com pequenos pontos azul-claros; a anal apresenta barras azuladas; e a caudal combina fundo cinza-purpúreo com barras azul-claras, que podem se fragmentar dorsalmente em pequenas manchas.

Morfologicamente, apresenta corpo moderadamente alto e lateralmente comprimido, com maior altura aproximadamente ao nível das nadadeiras pélvicas. O focinho é arredondado, os olhos ocupam posição dorsal na lateral da cabeça e a nadadeira caudal é subtruncada. A dorsal é ligeiramente pontiaguda nos machos e arredondada nas fêmeas, enquanto a anal é arredondada nos dois sexos.

A merística apresentada na revisão inclui 21–26 raios dorsais nos machos e 16–20 nas fêmeas; 21–25 raios anais nos machos e 18–21 nas fêmeas; 27–29 raios caudais; 14–15 raios peitorais e seis raios pélvicos. A série longitudinal possui 26–27 escamas, a série transversal 11 e existem 12 séries de escamas ao redor do pedúnculo caudal. A escamação frontal é geralmente do padrão A, ocasionalmente E.

O maior exemplar examinado na revisão atingiu 37,2 mm de comprimento padrão. Na amostra morfométrica utilizada por Costa, os cinco machos mediram 30,6–36,6 mm e as cinco fêmeas 21,0–23,8 mm. A altura corporal correspondeu a 33,4–36,5% do comprimento padrão nos machos e 34,0–35,6% nas fêmeas. A cabeça representou 31,2–32,9% do comprimento padrão nos machos e 33,8–34,5% nas fêmeas.

Também existe forte dimorfismo relacionado à posição e desenvolvimento das nadadeiras: o comprimento pré-dorsal corresponde a 45,5–48,1% do comprimento padrão nos machos e 58,3–63,1% nas fêmeas, enquanto a base da dorsal representa 36,1–39,3% nos machos e apenas 20,5–22,7% nas fêmeas.

Essas diferenças, combinadas à coloração, tornam o dimorfismo sexual bastante evidente.

Artigo Especial

Tipologia
e História

Distribuição, Biótopos, Ecologia e Ameaças

Material sobre características dos habitats e biótopos desta espécie, bem como riscos específicos e iniciativas de preservação. Utilize as abas abaixo para navegar entre os assuntos.

Distribuição
e Biótopo

Hypsolebias ocellatus é endêmica da bacia do rio Jequitinhonha, em Minas Gerais, tendo sido caracterizada taxonomicamente como habitante das planícies do médio Jequitinhonha. Todos os registros históricos primários examinados correspondem a poças temporárias, e a revisão de Costa caracteriza seu habitat como poças sazonais inseridas na Caatinga.

A localidade-tipo situa-se próxima a Itaobim, junto à BR-367. A publicação fornece aproximadamente 16°40'S, 41°40'W e 270 m de altitude, mas essa coordenada possui baixa resolução e deve ser considerada apenas uma referência histórica aproximada. A informação espacial mais útil é a indicação de uma poça temporária aproximadamente 1 km a oeste de Itaobim, junto à BR-367.

Além de Itaobim, há registros documentados em:

Taquaral: poça temporária aproximadamente 2,5 km a oeste da localidade, representada pelo lote UFRJ 5099.

São Pedro do Jequitinhonha: poça temporária aproximadamente 9,5 km a leste, lote UFRJ 5100.

Almenara: poça temporária aproximadamente 20,5 km a oeste da cidade, lote UFRJ 5101.

Salto da Divisa: poça temporária aproximadamente 18 km a oeste da cidade e cerca de 2 km do rio Jequitinhonha, representada pelos lotes UFRJ 5270 e UFRJ 5148.

Há ainda o registro UFRJ 5056, correspondente a 27 exemplares coletados por Dalton Nielsen em março de 2000 em uma poça temporária próxima ao Jequitinhonha e aproximadamente 1 km de Itaobim. Não é possível demonstrar, apenas com a descrição disponível, que essa depressão seja exatamente a mesma da série-tipo coletada no mês seguinte.

A distribuição conhecida deve, portanto, ser entendida como um corredor descontínuo de ambientes sazonais associados ao vale do Jequitinhonha, e não como ocupação contínua do rio. H. ocellatus não é uma espécie do canal principal do Jequitinhonha: sua existência depende de pequenas depressões temporariamente inundadas distribuídas na paisagem fluvial e adjacente.

Essa distinção é fundamental. A extensão geográfica entre os registros pode ser relativamente grande, enquanto a área efetivamente ocupada pela espécie corresponde a uma fração muito pequena dessa paisagem.

Ecologia e
Simpatria

Hypsolebias ocellatus é um peixe anual especializado em ambientes aquáticos temporários. Seu ciclo de vida está sincronizado com a alternância entre inundação e dessecação das poças do vale do Jequitinhonha.

Durante o período de inundação, os embriões completam seu desenvolvimento e os juvenis eclodem, crescem rapidamente, atingem a maturidade sexual e se reproduzem. Com a dessecação das poças, os adultos desaparecem, enquanto os ovos depositados no substrato atravessam a estação desfavorável e originam uma nova geração quando condições hidrológicas adequadas retornam.

Para a conservação, isso significa que uma poça seca continua sendo habitat ocupado. Durante a fase terrestre, a população persiste sob a forma de embriões enterrados no solo. Assim, aração, terraplanagem, compactação por veículos ou gado, retirada de solo, mineração, abertura de estradas e alterações da drenagem podem afetar a população mesmo na ausência aparente de peixes ou água.

Embora esse ciclo anual seja bem estabelecido para os rivulídeos anuais, faltam estudos experimentais específicos para H. ocellatus que permitam definir com segurança fecundidade, duração das diferentes fases embrionárias, tempo médio de incubação, idade de maturação, longevidade ou tolerâncias ambientais próprias da espécie. Esses parâmetros não devem ser extrapolados de outras espécies como se fossem dados específicos de H. ocellatus.

Quanto à simpatria, a bacia do Jequitinhonha abriga outros rivulídeos anuais, e Ophthalmolebias perpendicularis — originalmente descrito como Simpsonichthys perpendicularis — também ocorre nesse sistema hidrográfico. Entretanto, a ocorrência de duas espécies na mesma bacia ou região não demonstra que tenham sido coletadas na mesma poça.

Até que material de campo ou lotes demonstrem explicitamente coexistência na mesma depressão, é mais seguro distinguir simpatria regional de sintopia comprovada. Para H. ocellatus, esta última permanece insuficientemente documentada nas fontes auditadas.

Também permanecem pouco conhecidos dieta, predadores, competição, uso de micro-hábitat e eventuais diferenças ecológicas entre os diferentes núcleos do Jequitinhonha.

Conservação

Hypsolebias ocellatus foi avaliada nacionalmente como Menos Preocupante (LC) em 2012. Essa categoria aparece no Livro Vermelho da Fauna Brasileira e continua sendo reproduzida em levantamentos recentes sobre a ictiofauna regional.

A situação difere substancialmente da encontrada em muitos Hypsolebias ameaçados. A espécie possui diversos setores históricos de ocorrência distribuídos ao longo de uma extensão considerável do vale do Jequitinhonha, reduzindo sua dependência de uma única depressão sazonal.

Entretanto, o levantamento histórico e territorial revelou uma lacuna importante: os principais registros confirmados remontam às coletas realizadas aproximadamente no ano 2000. A existência histórica de vários núcleos não demonstra automaticamente que todos permaneçam preservados atualmente.

Assim, não há evidência suficiente para afirmar declínio generalizado ou extinções locais, mas também não é prudente assumir que a configuração populacional registrada há mais de duas décadas permaneça inalterada.

A localidade-tipo de Itaobim merece atenção especial. Ela foi descrita aproximadamente 1 km a oeste da cidade e junto à BR-367, colocando o habitat em uma paisagem sujeita à influência de expansão urbana e infraestrutura rodoviária.

O núcleo de Almenara também merece investigação detalhada, diante da presença regional contemporânea de atividades de extração de areia e cascalho. A existência dessas atividades está documentada, mas sua sobreposição com a localidade histórica de H. ocellatus ainda não foi demonstrada.

Em Salto da Divisa, alterações de grande escala relacionadas à infraestrutura e à transformação hidrológica do baixo Jequitinhonha constituem elementos territoriais relevantes. Novamente, porém, não existe até o momento demonstração de que a poça histórica da espécie tenha sido diretamente afetada.

O setor de Taquaral, em Itinga, encontra-se inserido em região conhecida pela atividade minerária e por ocorrências pegmatíticas. Isso justifica investigação espacial específica, mas não permite afirmar que mineração tenha atingido a localidade histórica.

Para São Pedro do Jequitinhonha, não foi identificada até esta etapa uma pressão territorial dominante comparável às observadas nos demais setores, mas a integridade e a ocupação contemporânea da poça também permanecem desconhecidas.

Assim, é importante separar claramente:

transformação regional da paisagem — DOCUMENTADA;

impacto direto sobre determinadas poças históricas — AINDA NÃO DEMONSTRADO;

desaparecimento de populações — NÃO DEMONSTRADO;

persistência contemporânea dos cinco setores históricos — AINDA NÃO VERIFICADA SISTEMATICAMENTE.

Outro fator merece atenção especial: a BR-367 acompanha grande parte do corredor territorial onde a espécie foi historicamente registrada. Obras viárias podem alterar pequenas depressões sazonais por aterros, valetas, bueiros, mudança do escoamento superficial, sedimentação ou movimentação de solo. A proximidade espacial justifica investigação, mas não constitui evidência automática de impacto.

O caráter anual torna H. ocellatus particularmente vulnerável a modificações aparentemente pequenas. Uma depressão que permanece seca durante vários meses pode ser interpretada como terreno sem importância aquática, embora contenha no substrato toda a geração seguinte da população.

Por isso, as prioridades atuais de conservação e pesquisa são relocalizar com precisão os cinco setores históricos; verificar a persistência das populações; identificar depressões adicionais; documentar coordenadas com GPS; caracterizar hidroperíodo, solo e microbacia; avaliar mudanças de uso do solo; e comparar a paisagem histórica de aproximadamente 2000 com sua configuração atual.

A existência de vários registros históricos continua sendo um elemento favorável para H. ocellatus. Contudo, sua verdadeira situação contemporânea somente poderá ser estabelecida quando soubermos quantos desses núcleos continuam ocupados e quantas novas populações permanecem desconhecidas entre eles.

Nesse sentido, H. ocellatus representa um caso particularmente interessante de conservação: não há, atualmente, base suficiente para caracterizá-la como espécie em declínio, mas existe uma oportunidade importante de testar, mais de duas décadas depois, a persistência de uma rede histórica de habitats anuais ao longo do vale do Jequitinhonha.

Galeria de Imagens

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