| Ordem: Cyprinodontiformes  | 
 Família: Rivulidae | 
 Gênero: Hypsolebias | 
Anual
Sul-Americano
Hypsolebias nudiorbitatus
Killis - Site UBK

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Dificuldade de Criação
Reprodução
Agressividade
Alimentação
Facilidade de Aquisição

Infelizmente, a killifilia brasileira ainda é carente de memória histórica registrada. Muitas histórias de criadores, coletas, linhagens, intercâmbios, exposições e espécies mantidas no país acabaram se perdendo com o tempo. A UBK acredita que preservar essa memória é tão importante quanto preservar os próprios peixes. Por isso, convidamos criadores, antigos e atuais, e todos os aficionados por killifishes a compartilhar conosco suas experiências, lembranças, fotografias, documentos e relatos. Conte sua história com esta espécie e também com a killifilia brasileira. Cada registro pode ajudar a reconstruir uma parte importante da nossa história e impedir que ela se perca novamente.
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Países de origem

bandeira
Brasil

Identificação

Nome Atual: Hypsolebias nudiorbitatus
Descrito por, Ano: Costa, 2011
Família: Rivulidae Myers, 1925
Subfamília: Cynolebiinae Hoedeman, 1961
Tribo: Cynolebiini Hoedeman, 1961
Subtribo: Spectrolebiina Costa, 1998
Gênero: Hypsolebias Costa, 2006
Espécie: nudiorbitatus

Introdução

Hypsolebias nudiorbitatus Costa, 2011 é um peixe anual da família Rivulidae conhecido da região de Filadélfia, no norte da Bahia, na bacia do alto rio Itapicuru. A espécie foi descoberta em 10 de maio de 2010, durante uma expedição de campo conduzida por Wilson J. E. M. Costa e colaboradores, e descrita formalmente no ano seguinte. A coleta ocorreu em um amplo brejo sazonal associado ao riacho das Jacas, em área de Caatinga semiárida.

Sua descoberta teve relevância biogeográfica por representar o primeiro registro conhecido de Hypsolebias para a bacia do rio Itapicuru. A espécie pertence ao grupo Hypsolebias antenori e apresenta uma combinação de caracteres morfológicos bastante peculiar, destacando-se a redução extrema da escamação na região supraorbital, característica que deu origem ao seu nome.

Nos machos, outro caráter marcante é o padrão da nadadeira caudal, onde pontos brancos estão organizados em fileiras transversais. A espécie também apresenta 14 séries de escamas ao redor do pedúnculo caudal, posição relativamente posterior da nadadeira dorsal nos machos e basihial estreito, caracteres que, em conjunto, permitem distingui-la das demais espécies do grupo antennori.

A distribuição conhecida permanece extremamente restrita. Até o momento, a literatura taxonômica auditada sustenta de maneira inequívoca apenas a localidade-tipo, próxima de Filadélfia. Não foi estabelecida uma segunda população documentada com material testemunho independente, nem uma sequência segura de recoletas recentes.

A espécie é considerada Vulnerável (VU) no Brasil, categoria mantida na Portaria GM/MMA nº 1.667, de 27 de abril de 2026. Globalmente, permanece classificada como Dados Insuficientes (DD) na Lista Vermelha da IUCN, refletindo justamente as importantes lacunas existentes sobre distribuição, abundância e tendência populacional.

Sinonimia

Hypsolebias nudiorbitatus Costa, 2011 — combinação original e nome atualmente válido.

A espécie foi descrita diretamente no gênero Hypsolebias e não possui combinação anterior em Simpsonichthys. Até o momento, não foram identificados sinônimos taxonômicos formais associados ao nome.

Etimologia

O epíteto específico nudiorbitatus deriva de raízes latinas relacionadas a “nu” e “órbita”, podendo ser interpretado como “com a região orbital nua”.

O nome faz referência à característica morfológica mais singular da espécie: a escamação fortemente reduzida da região supraorbital, normalmente representada por apenas uma pequena escama posterior e, em alguns indivíduos, aparentemente ausente.

Dados e Informações de Criação

Informações sobre criação de killifishes. Histórico da espécie em cativeiro, criação no Brasil e no Mundo, dicas de  manejo, manutenção e procriação, populações e geolocalização. Utilize as abas abaixo para navegar entre os assuntos.

Básicos

O Aquário

Populações com Código de Coleta (Rastreabilidade Alta)
Estas populações possuem dados precisos de local, data e coletor. Devem ser mantidas estritamente puras.

Os marcadores não significam a localização exata da população desta espécie. A intenção é apenas mostrar um aspecto geral da distribuição geográfica.

Dados Científicos, Taxonômicos e Históricos

Informações científicas sobre a espécie, dados sobre morfometria, características científicas diferenciadas e história da espécie. Utilize as abas abaixo para navegar entre os assuntos.

Diagnose e
Morfometria

Artigo Especial

Tipologia
e História

Distribuição, Biótopos, Ecologia e Ameaças

Material sobre características dos habitats e biótopos desta espécie, bem como riscos específicos e iniciativas de preservação. Utilize as abas abaixo para navegar entre os assuntos.

Distribuição
e Biótopo

Hypsolebias nudiorbitatus é endêmica do Brasil e conhecida da bacia do alto rio Itapicuru, no estado da Bahia.

A descrição original situa a localidade-tipo no município de Filadélfia, em um:

brejo sazonal adjacente ao riacho das Jacas, próximo à rodovia BA-381 e aproximadamente 2,5 km de Filadélfia, a cerca de 415 m de altitude.

A publicação fornece a coordenada:

11°22'51"S, 40°00'51"W.

Entretanto, uma auditoria territorial posterior revelou que esse ponto é geograficamente incompatível com a própria descrição da localidade, pois se encontra dezenas de quilômetros ao sul da sede de Filadélfia. Assim, existe forte indicação de erro de transcrição ou georreferenciamento na coordenada publicada.

Por essa razão, a coordenada original deve ser preservada como dado histórico da publicação, mas não deve ser tratada atualmente como localização espacial confirmada da população.

Para reconstrução territorial da localidade, os elementos mais confiáveis são:

  • município de Filadélfia;
  • proximidade de aproximadamente 2,5 km da sede/localidade indicada;
  • proximidade da BA-381;
  • associação com o riacho das Jacas;
  • bacia do alto Itapicuru;
  • altitude aproximada de 415 m.

O habitat foi descrito diretamente durante a coleta de maio de 2010. Tratava-se de um amplo brejo sazonal, lateralmente associado ao riacho das Jacas, que também apresenta regime temporário.

Na ocasião, a profundidade da água variava aproximadamente entre 0,4 e 0,8 m, a água era clara e havia vegetação aquática densa. Segundo a descrição original, os brejos e cursos d'água da região permanecem secos aproximadamente entre junho e novembro.

A paisagem pertence ao domínio da Caatinga e está inserida em um sistema de drenagem sazonal, no qual a permanência das populações depende não apenas da presença temporária de água, mas também da integridade física do solo que permanece seco durante parte considerável do ano.

Até o presente, nenhuma segunda localidade com documentação inequívoca foi estabelecida, de modo que a distribuição conhecida da espécie deve continuar sendo considerada extremamente restrita e insuficientemente conhecida.

Ecologia e
Simpatria

Hypsolebias nudiorbitatus apresenta o ciclo de vida anual característico dos Rivulidae especializados em ambientes temporários da Caatinga.

Durante a estação chuvosa, o brejo sazonal se enche e permite a eclosão dos embriões presentes no substrato. Os indivíduos crescem rapidamente, atingem a maturidade e se reproduzem durante o período em que existe água disponível.

Com o avanço da estação seca, o brejo desaparece como ambiente aquático superficial. Os adultos não sobrevivem à dessecação, mas os ovos permanecem enterrados no substrato, onde os embriões podem atravessar o período desfavorável por meio de mecanismos de diapausa.

Consequentemente, o brejo seco continua constituindo habitat ocupado pela espécie.

Essa característica é particularmente importante do ponto de vista conservacionista. Terraplanagem, compactação do solo, aração, abertura de estradas, passagem intensiva de veículos, drenagem ou aterramento realizados durante o período seco podem eliminar o banco de ovos mesmo quando nenhum peixe adulto está visível.

A descrição original fornece ainda uma observação microecológica rara e interessante: todos os exemplares coletados de H. nudiorbitatus foram encontrados sob a sombra de arbustos.

Esse padrão pode indicar seleção de micro-habitat, mas sua causa permanece desconhecida. Não é possível determinar, com os dados disponíveis, se a associação está relacionada à temperatura, proteção contra predadores, disponibilidade de alimento, estrutura vegetal ou outro fator ambiental.

A região do alto Itapicuru também abriga outros rivulídeos, incluindo espécies de Cynolebias. Entretanto, até o momento, não foi demonstrada de maneira suficientemente robusta a sintopia de outra espécie de Rivulidae exatamente no brejo-tipo de H. nudiorbitatus.

Também permanecem pouco conhecidos aspectos como dieta, fecundidade, número e tamanho dos ovos, duração específica das fases de diapausa, longevidade, idade de maturação e estrutura populacional.

Conservação

Hypsolebias nudiorbitatus é atualmente classificada como Vulnerável (VU) no Brasil, condição mantida na lista nacional atualizada pela Portaria GM/MMA nº 1.667, de 27 de abril de 2026.

Globalmente, a espécie permanece classificada como Dados Insuficientes (DD), com avaliação realizada em 7 de novembro de 2018.

A combinação entre uma categoria nacional de ameaça e uma avaliação global como DD é coerente com o estado atual do conhecimento: H. nudiorbitatus apresenta distribuição aparentemente muito pequena, mas faltam informações fundamentais sobre número de populações, abundância, tendências demográficas e persistência recente.

A principal fragilidade conservacionista é sua aparente dependência de uma única localidade conhecida.

Além disso, a própria localização exata dessa população tornou-se uma questão crítica. A coordenada publicada em 2011 é incompatível com a descrição textual da localidade-tipo, o que dificulta a identificação do brejo por pesquisadores, órgãos ambientais e equipes de licenciamento.

Esse problema não é apenas cartográfico. Para uma espécie de distribuição extremamente restrita, não conhecer com segurança a posição do único habitat documentado constitui, por si só, uma limitação importante para sua proteção.

A descrição original coloca o brejo a apenas cerca de 2,5 km de Filadélfia e próximo à BA-381, inserindo a espécie em uma zona potencialmente sujeita a alterações rápidas de uso do solo.

Entre as principais pressões territoriais plausíveis destacam-se:

  • expansão periurbana;
  • loteamentos;
  • abertura e manutenção de estradas;
  • alterações da drenagem;
  • agricultura;
  • pecuária;
  • compactação do solo;
  • terraplanagem;
  • mineração regional.

É importante, contudo, distinguir essas pressões potenciais de impactos efetivamente demonstrados.

A BA-381 já existia quando a espécie foi descoberta, mas passou posteriormente por obras de recuperação, pavimentação e modernização em trechos da região. Como o habitat original foi descrito como próximo da rodovia, alterações em aterros, valetas ou bueiros podem potencialmente modificar a microdrenagem dos brejos sazonais.

Até o momento, porém, não foi demonstrado que as obras viárias tenham atingido diretamente a localidade de H. nudiorbitatus.

Agricultura e pecuária são atividades tradicionais na bacia do Itapicuru e podem afetar ambientes temporários por compactação, revolvimento do substrato, erosão e alteração do escoamento superficial. Entretanto, também não foi comprovado que a depressão conhecida seja utilizada diretamente para cultivo ou criação intensiva de animais.

A mineração possui importância econômica regional e existem empreendimentos licenciados no município de Filadélfia. Contudo, a auditoria territorial não encontrou evidência suficiente para afirmar sobreposição entre áreas minerárias conhecidas e a localidade-tipo. Assim, a mineração deve ser considerada atualmente ameaça regional potencial, e não impacto direto comprovado.

Outro fator importante é a alteração hidrológica na bacia do alto Itapicuru, onde barragens e sistemas de regularização são utilizados para abastecimento e irrigação. Não existe, entretanto, demonstração de que essas estruturas tenham alterado diretamente o hidroperíodo do riacho das Jacas ou do brejo ocupado pela espécie.

A ameaça mais imediata para um peixe anual microendêmico continua sendo a perda física da depressão sazonal.

Um aterro de pequena extensão, abertura de uma estrada vicinal, conversão para pastagem ou lavoura, instalação de edificações ou alteração de um bueiro podem ser suficientes para eliminar uma população inteira caso apenas uma localidade exista.

Além disso, o risco permanece invisível durante a estação seca: entre aproximadamente junho e novembro, o brejo pode parecer apenas uma área seca da Caatinga, embora o substrato possa conter toda a geração seguinte da espécie sob a forma de ovos em desenvolvimento.

Por essa razão, as prioridades conservacionistas incluem:

  • recuperar a coordenada correta da localidade-tipo;
  • consultar as fichas originais dos lotes UFRJ 6837, 6838 e 6839;
  • localizar eventuais cadernos de campo, fotografias e arquivos GPS da expedição de maio de 2010;
  • reconstruir a posição do brejo a partir do riacho das Jacas, BA-381, altitude e distância de Filadélfia;
  • realizar novas campanhas de campo durante a estação chuvosa;
  • procurar populações adicionais na microbacia;
  • georreferenciar todas as depressões encontradas;
  • monitorar a integridade do substrato também durante a estação seca;
  • investigar efeitos de estradas, pecuária, urbanização e mineração;
  • e avaliar a conveniência de estabelecer populações ex situ com procedência rigorosamente documentada.

A situação de H. nudiorbitatus exemplifica um problema recorrente na conservação de peixes anuais: uma espécie pode estar formalmente protegida por listas nacionais e planos de ação, mas continuar extremamente vulnerável se sua única localidade conhecida não estiver precisamente localizada, monitorada e protegida no território.

Assim, independentemente da ausência de evidência atual de destruição da população, H. nudiorbitatus deve ser considerada uma espécie de alta prioridade para prospecção e monitoramento, devido à combinação de distribuição extremamente restrita, habitat sazonal sensível, proximidade de infraestrutura e forte deficiência de conhecimento sobre sua situação contemporânea.

Galeria de Imagens

Algumas fotos foram retiradas da internet com intuito informativo. Os devidos créditos são observados. Qualquer problema entre em contato conosco.

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