| Ordem: Cyprinodontiformes  | 
 Família: Rivulidae | 
 Gênero: Hypsolebias | 
Anual
Sul-Americano
Hypsolebias shibattai
Killis - Site UBK

Indicadores da UBK

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Dificuldade de Criação
Reprodução
Agressividade
Alimentação
Facilidade de Aquisição

Infelizmente, a killifilia brasileira ainda é carente de memória histórica registrada. Muitas histórias de criadores, coletas, linhagens, intercâmbios, exposições e espécies mantidas no país acabaram se perdendo com o tempo. A UBK acredita que preservar essa memória é tão importante quanto preservar os próprios peixes. Por isso, convidamos criadores, antigos e atuais, e todos os aficionados por killifishes a compartilhar conosco suas experiências, lembranças, fotografias, documentos e relatos. Conte sua história com esta espécie e também com a killifilia brasileira. Cada registro pode ajudar a reconstruir uma parte importante da nossa história e impedir que ela se perca novamente.
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Países de origem

bandeira
Brasil

Identificação

Nome Atual: Hypsolebias shibattai
Descrito por, Ano: Nielsen, Martins, Araujo & Suzart, 2014
Família: Rivulidae Myers, 1925
Subfamília: Cynolebiinae Hoedeman, 1961
Tribo: Cynolebiini Hoedeman, 1961
Subtribo: Spectrolebiina Costa, 1998
Gênero: Hypsolebias Costa, 2006
Espécie: shibattai

Introdução

Hypsolebias shibattai Nielsen, Martins, Araujo & Suzart, 2014 é um pequeno peixe anual endêmico da bacia do rio São Francisco, conhecido com segurança de uma única poça temporária localizada no município de Bom Jesus da Lapa, Bahia.

A espécie foi descoberta em 12 de janeiro de 2013, quando Mayler Martins e Luciano Medeiros de Araujo coletaram os exemplares que posteriormente constituiriam sua série-tipo. A descrição formal foi publicada em 2014 por Dalton T. B. Nielsen, Mayler Martins, Luciano Medeiros de Araujo e Rogério dos Reis Suzart.

A localidade-tipo encontra-se junto à BR-430, aproximadamente 18 km a sudeste de Bom Jesus da Lapa, a cerca de 433 m de altitude. Trata-se de uma informação espacial excepcionalmente precisa quando comparada à disponível para muitas outras espécies de rivulídeos anuais descritas historicamente.

Hypsolebias shibattai destaca-se principalmente pela extraordinária coloração dos machos, que apresentam a região anterior do corpo intensamente amarelo-dourada, seguida por barras avermelhadas e verde-escuras e numerosos pontos metálicos azulados. A espécie integra o complexo Hypsolebias fulminantis, conjunto de espécies do médio São Francisco caracterizado por marcante diferenciação cromática e distribuição geográfica restrita.

Sua importância conservacionista é particularmente elevada porque, até o momento, não foi demonstrada inequivocamente a existência de uma segunda população. Além disso, quando a espécie foi descoberta, sua única poça conhecida já estava sofrendo intervenção física destinada a aumentar a capacidade de armazenamento de água.

Sinonimia

Hypsolebias shibattai Nielsen, Martins, Araujo & Suzart, 2014

A espécie foi originalmente descrita no gênero Hypsolebias e permanece nele atualmente. Por essa razão, os nomes dos autores e o ano não aparecem entre parênteses.

Etimologia

O epíteto específico shibattai foi escolhido em homenagem ao ictiólogo brasileiro Oscar Akio Shibatta, em reconhecimento à sua contribuição para o conhecimento da ictiofauna sul-americana.

Dados e Informações de Criação

Informações sobre criação de killifishes. Histórico da espécie em cativeiro, criação no Brasil e no Mundo, dicas de  manejo, manutenção e procriação, populações e geolocalização. Utilize as abas abaixo para navegar entre os assuntos.

Básicos

O Aquário

Populações com Código de Coleta (Rastreabilidade Alta)
Estas populações possuem dados precisos de local, data e coletor. Devem ser mantidas estritamente puras.

Os marcadores não significam a localização exata da população desta espécie. A intenção é apenas mostrar um aspecto geral da distribuição geográfica.

Dados Científicos, Taxonômicos e Históricos

Informações científicas sobre a espécie, dados sobre morfometria, características científicas diferenciadas e história da espécie. Utilize as abas abaixo para navegar entre os assuntos.

Diagnose e
Morfometria

A espécie apresenta acentuado dimorfismo sexual. Nos machos, a região anterior do corpo, incluindo cabeça, opérculo e porção anterior do flanco, possui intensa coloração amarelo-dourada. Posteriormente aparecem aproximadamente cinco a seis barras avermelhadas alternadas com barras verde-escuras, acompanhadas por numerosos pequenos pontos azul-claros.

As nadadeiras dorsal, anal e caudal apresentam padrões metálicos marcantes. A dorsal possui linhas amarelo-douradas acompanhando os raios, enquanto a caudal apresenta fundo avermelhado atravessado por linhas claras. Dorsal e anal apresentam ainda estreita margem escura.

As fêmeas possuem padrão consideravelmente mais discreto. O corpo é predominantemente cinza-claro, com pequenas manchas escuras na região mediana, região abdominal amarelo-pálida e nadadeiras essencialmente hialinas.

O corpo é relativamente alto e lateralmente comprimido. Nos machos, dorsal e anal são alongadas e pontiagudas, podendo apresentar pequenos prolongamentos filamentosos; nas fêmeas essas nadadeiras são arredondadas.

A série-tipo contém onze exemplares. O holótipo, ZUEC 7648, é um macho com 32,3 mm de comprimento padrão. Entre os exemplares examinados na descrição, os machos alcançaram aproximadamente 34,4 mm CP, enquanto as fêmeas atingiram cerca de 25,7 mm CP.

A espécie apresenta 20–21 raios dorsais nos machos e 13–14 nas fêmeas; 19 raios anais nos machos e 16–17 nas fêmeas; 19–21 raios caudais e 25–26 vértebras. A escamação frontal corresponde ao padrão E.

Artigo Especial

Tipologia
e História

Distribuição, Biótopos, Ecologia e Ameaças

Material sobre características dos habitats e biótopos desta espécie, bem como riscos específicos e iniciativas de preservação. Utilize as abas abaixo para navegar entre os assuntos.

Distribuição
e Biótopo

Hypsolebias shibattai é conhecida seguramente de uma única localidade na bacia do rio São Francisco, município de Bom Jesus da Lapa, Bahia.

A localidade-tipo corresponde a uma poça temporária situada junto à BR-430, aproximadamente 18 km a sudeste de Bom Jesus da Lapa e cerca de 18,5 km a leste da margem direita do rio São Francisco.

Ao contrário das coordenadas históricas aproximadas disponíveis para diversas espécies de Hypsolebias, neste caso a localização possui elevada precisão e permite acompanhamento territorial detalhado.

A poça situa-se em ambiente de Caatinga e apresentava substrato composto por argila e areia, água ligeiramente turva e abundante vegetação aquática, especialmente grandes concentrações de Utricularia sp. e Nymphaea sp.

Quando examinada em janeiro de 2013, possuía aproximadamente 80 cm de profundidade média, alcançando cerca de 1,2 m nas partes mais profundas.

A água apresentava pH 6,5, condutividade de aproximadamente 22 μS/cm e temperaturas próximas de 30 °C na superfície e 26 °C nas regiões mais profundas ou sombreadas, caracterizando um ambiente de baixa mineralização.

Existe um registro posterior de Hypsolebias cf. shibattai proveniente de levantamentos realizados na região de Guanambi/Candiba. Entretanto, a identificação foi apresentada explicitamente como provisória e não deve ser utilizada, sem confirmação taxonômica adicional, como segunda localidade de H. shibattai.

Assim, até que material adicional seja revisado, Bom Jesus da Lapa permanece como a única ocorrência inequivocamente confirmada da espécie.

Ecologia e
Simpatria

Hypsolebias shibattai apresenta ciclo de vida anual, estando adaptada à alternância extrema entre inundação e dessecação das poças temporárias da Caatinga.

Durante a fase aquática, os indivíduos eclodem, crescem, atingem a maturidade sexual e reproduzem-se. Com o desaparecimento da água, os adultos morrem, mas a população permanece no ambiente sob a forma de embriões resistentes à dessecação enterrados no substrato.

Consequentemente, a poça seca continua constituindo habitat da espécie. A ausência de água superficial ou de peixes adultos não significa que a população esteja ausente.

O comportamento reprodutivo foi observado em cativeiro. O macho estabelece território e corteja a fêmea por meio de movimentos ondulatórios. O casal aproxima-se do substrato e penetra nele através de movimentos vibratórios. A postura ocorre no interior do substrato, onde o ovo é fecundado. Macho e fêmea podem permanecer parcialmente enterrados por alguns segundos ou minutos antes de emergirem.

Esse comportamento torna a integridade física do solo da poça tão importante quanto sua lâmina d'água.

Na localidade-tipo foram encontrados outros dois rivulídeos anuais juntamente com H. shibattai, registrados na descrição como Cynolebias sp. e Hypsolebias sp.

Nesse caso, existe sintopia confirmada, pois os animais foram coletados na mesma poça. Entretanto, a identidade específica desses dois táxons ainda não foi demonstrada na documentação disponível e não deve ser inferida apenas a partir de sua distribuição geográfica.

A ecologia detalhada de H. shibattai permanece pouco estudada. Não existem ainda dados suficientes para estabelecer com segurança sua dieta natural, fecundidade, longevidade, duração típica do desenvolvimento embrionário ou variação interanual do recrutamento.

Conservação

A conservação de Hypsolebias shibattai merece especial atenção porque toda a distribuição seguramente conhecida da espécie está associada a uma única localidade confirmada.

A avaliação global disponível considera a espécie Criticamente em Perigo (CR), enquanto a avaliação brasileira a reconhece em categoria de ameaça diferente. A espécie também está contemplada nas ações nacionais destinadas à conservação dos rivulídeos ameaçados.

O aspecto mais preocupante, entretanto, encontra-se na própria história da descoberta.

Em janeiro de 2013, quando a espécie foi coletada, estava ocorrendo intervenção física na poça mediante escavação destinada a aprofundá-la e aumentar sua capacidade de armazenamento de água durante a estação seca. Trata-se, portanto, de alteração diretamente observada no único habitat confirmado da espécie, e não apenas de uma ameaça inferida a partir da transformação regional da paisagem.

Os autores da descrição informaram o proprietário sobre a presença dos peixes anuais e sobre a importância da conservação da poça. Segundo o relato publicado, ele concordou em interromper a alteração.

Entretanto, a condição posterior da localidade precisa ser verificada.

Para um peixe anual, aprofundar uma poça não representa necessariamente melhoria do habitat. A manutenção de água durante períodos em que a depressão naturalmente secaria pode modificar o hidroperíodo, a temperatura, a vegetação aquática, a composição de predadores e competidores e as características do substrato onde permanecem os embriões.

Por outro lado, não existe até o momento evidência suficiente para afirmar que a intervenção de 2013 tenha provocado perenização da poça, desaparecimento da população ou destruição da localidade.

A proximidade com a BR-430 constitui outro elemento territorial relevante. O corredor rodoviário Bom Jesus da Lapa–Caetité passou por diferentes programas de recuperação e manutenção ao longo dos anos. Em 2026, novas intervenções de conservação da BR-430 incluíram implantação e recuperação de dispositivos de drenagem no conjunto de trechos atendidos.

Para uma pequena lagoa sazonal próxima a uma rodovia, alterações de drenagem merecem atenção especial, pois valetas, bueiros, aterros e mudanças no escoamento superficial podem modificar a quantidade e o momento de entrada da água na poça.

Entretanto, não foi demonstrado até o momento que essas intervenções rodoviárias tenham atingido diretamente a microbacia da localidade-tipo de H. shibattai.

A reconstrução territorial permite, portanto, separar claramente os diferentes níveis de evidência:

Intervenção física na poça em 2013 — CONFIRMADA.

Proximidade da BR-430 — CONFIRMADA.

Obras contemporâneas e intervenções de drenagem na BR-430 regional — CONFIRMADAS.

Interferência dessas obras na hidrologia da poça — NÃO DEMONSTRADA.

Transformação da poça em reservatório permanente — NÃO DEMONSTRADA.

Destruição da localidade-tipo — NÃO DEMONSTRADA.

Extinção da população — NÃO DEMONSTRADA.

Persistência contemporânea da população — NECESSITA VERIFICAÇÃO.

A prioridade de conservação deve ser, portanto, a reavaliação da localidade-tipo, combinando inspeção de campo e sensoriamento remoto. É necessário verificar se a depressão mantém sua geometria, sazonalidade e microbacia; determinar se novas escavações ocorreram; avaliar alterações da drenagem relacionadas à rodovia; caracterizar o substrato durante a estação seca; e, sobretudo, confirmar novamente a presença de H. shibattai.

A possibilidade de existirem populações ainda desconhecidas também deve ser investigada mediante prospecções direcionadas em outras depressões sazonais ambientalmente semelhantes da região.

A situação de H. shibattai ilustra uma particularidade fundamental da conservação dos peixes anuais: preservar apenas a presença de água não é suficiente. É necessário preservar o funcionamento sazonal da depressão, sua microbacia e o substrato onde permanece, durante a estação seca, a geração seguinte da espécie.

Galeria de Imagens

Algumas fotos foram retiradas da internet com intuito informativo. Os devidos créditos são observados. Qualquer problema entre em contato conosco.

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