Manutenção em aquário
O N. rachovii é considerado uma das espécies mais belas entre todos os peixes de água doce e, provavelmente, o killifish anual mais difundido no aquarismo mundial. Suas cores intensas e o contraste marcante entre o vermelho e o azul fazem dele uma das espécies mais desejadas pelos criadores. Embora seja bastante prolífico, exige maior atenção do que muitas outras espécies anuais quanto à temperatura, qualidade da água e prevenção do Oodinium.
Quando mantido em boas condições e alimentado adequadamente, reproduz-se com facilidade, produz grande quantidade de ovos e apresenta excelentes taxas de eclosão. Entretanto, é uma espécie relativamente sensível a temperaturas baixas e, quando submetida a estresse ou mantida em condições inadequadas, torna-se bastante suscetível ao Oodinium (Doença do Veludo).
Por esse motivo, recomenda-se manter a temperatura preferencialmente acima de 22 °C. Muitos criadores também utilizam pequenas quantidades de sal grosso não iodado (0,5 a 1 g/L) como medida preventiva contra o Oodinium, prática que pode ser benéfica quando empregada corretamente.
Criadores experientes conseguem manter casais ou pequenos grupos em aquários entre 10 e 20 litros. Entretanto, em volumes reduzidos, o controle da temperatura, da qualidade da água e da agressividade entre os peixes torna-se mais importante. Para iniciantes, recomenda-se aquários de pelo menos 20 litros.
Como todos os killifishes anuais, o termo “anual” refere-se ao ciclo de vida natural da espécie e não necessariamente à sua longevidade em aquário. Na natureza, os adultos morrem quando as poças temporárias secam, permanecendo apenas os ovos em diapausa. Em cativeiro, como esse processo não ocorre, os peixes frequentemente vivem por um período significativamente maior, embora continuem sendo considerados animais de vida relativamente curta. Alimentação, temperatura, intensidade da atividade reprodutiva e estresse social influenciam diretamente essa longevidade.
Na natureza, alimenta-se principalmente de pequenos crustáceos, larvas de insetos e outros microinvertebrados aquáticos. Em aquário, recomenda-se oferecer regularmente alimentos vivos, como dáfnias, moinas, enquitreias, microvermes, artêmias, branchonetas, tubifex e larvas de mosquito. Alimentos congelados, liofilizados ou conservados também são bem aceitos e constituem excelentes complementos alimentares. Os juvenis apresentam crescimento extremamente rápido quando recebem alimentação abundante e variada, especialmente com alimentos vivos associados a trocas parciais frequentes de água durante as primeiras semanas de vida. Esse manejo favorece o desenvolvimento, a coloração e a maturação sexual.
Embora possa ser condicionado ao consumo de rações industrializadas de boa qualidade, é importante evitar excessos e remover rapidamente eventuais sobras para preservar a qualidade da água.
Os machos apresentam comportamento territorial e podem perseguir tanto outros machos quanto as fêmeas durante o período reprodutivo. O uso de plantas, musgos e outros abrigos é importante para reduzir o estresse, oferecendo locais de refúgio para as fêmeas e para machos subordinados.
O aquário pode ser mantido com fundo nu ou com pequena quantidade de turfa destinada à desova. Caso utilize turfa, sua fervura prévia pode reduzir a liberação excessiva de taninos, evitando quedas acentuadas do pH.
A constância da temperatura é um dos fatores mais importantes para a manutenção da espécie. Durante as trocas parciais semanais de 30% a 50%, recomenda-se utilizar água com temperatura igual ou ligeiramente superior à do aquário, realizando a reposição lentamente para evitar choques térmicos. Para alevinos e juvenis, trocas mais frequentes e em menor volume favorecem crescimento mais rápido e uniforme. Esse manejo, aliado a uma alimentação de qualidade, é um dos principais fatores responsáveis pelo rápido crescimento característico da espécie.
Caso seja utilizada filtragem, dê preferência a filtros de esponja ou outros sistemas de baixa vazão. A espécie não aprecia correntezas intensas e desenvolve-se melhor em águas calmas e bem oxigenadas.
O fotoperíodo também influencia o metabolismo da espécie. Recomenda-se uma iluminação entre 10 e 12 horas diárias, suficiente para manter um ritmo circadiano semelhante ao observado em seu ambiente natural.
O N. rachovii desenvolve-se melhor em águas neutras a levemente alcalinas. Além de refletirem as condições encontradas em boa parte de seu habitat natural, esses valores de pH também dificultam o desenvolvimento do Oodinium, que tende a proliferar com maior facilidade em águas mais ácidas.
Uma característica curiosa observada em machos adultos e dominantes é o desenvolvimento de uma giba nucal (“nuchal hump”), localizada logo atrás da cabeça. Com a idade, esses exemplares tornam-se mais altos e robustos, adquirindo um aspecto bastante característico. Essa estrutura resulta do desenvolvimento da musculatura e do espessamento dos tecidos da região nucal, funcionando provavelmente como um sinal visual de dominância e vigor durante as interações sociais e reprodutivas. Entretanto, quando surge muito precocemente ou de forma exagerada, pode indicar alimentação excessivamente rica em gordura e excesso de peso.